E foi assim, de repente. Eu descia a Álvares Cabral, como faço todas as manhãs para ir ao trabalho, mas ontem foi diferente. Diferente pq em questão de segundos eu veria minha vida parar.
Aquele carro que seguia à minha frente freiou bruscamente, assim que o sinal amarelou, no cruzamento da Álvares Cabral com Curitiba. Não dava tempo. Não dava tempo de desviar, não dava tempo de freiar, não dava tempo...
Eu até tentei. Tentei freiar, mas a moto patinou na pista e meu único reflexo foi soltar. Soltar a moto, soltar o corpo, soltar... soltar...
Não pensei em nada. Não dava tempo. Não dava tempo. Não dava tempo...
A moto contra o carro. Meu corpo lançado contra o carro. Minha cabeça contra o carro. Meu braços contra o carro. Minha cabeça contra o chão. Meu corpo contra o chão.
Eu bati. Por uma imprudência besta de uma motorista, eu bati. Pq ela não olhou no retrovisor pra ver que atrás dela tinham outros veículos e simplesmente freiou no instante em que o sinal amarelou, eu bati. Eu bati.
Levantei. Aparentemente nenhum dano ao meu corpo. A moto no chão. Pessoas me cercam: "vc está bem?" "quer q chame a ambulância?" "vc tem um corte na cabeça"...
Mas eu não sentia nada. O sangue quente me impediu de sentir dores na hora.
A motorista veio falar cmgo. Conversamos. Ela acha que a culpa é minha e sabe pq?! Pq eu sou
motociclista e
bati na traseira do carro dela. Ah, e pra completar: ela é advogada do TJ e eu, uma "simples" publicitária. Não entendo como as leis podem ser falhas nesse sentido. Um motorista freia o carro bruscamente e a culpa é de quem está atrás mesmo qdo quem está atrás mantém a distância de segurança! É totalmente ilógico. Eu não estava colada nela, mas eu estava em uma moto, numa descida íngreme e por isso não consegui parar.
Minutos depois as dores: pescoço, cabeça, coluna, tudo doía. Fui para o hospital. Exames. Tonturas. Sono. Mais exames. Dores. Conclusão: está tudo bem. Só uma "bela" pancada na cabeça, que vai me deixar meio "lelé" por um tempo e mtas, mtas dores pelo corpo. Parece que apanhei.
Mas esse fato me fez parar. Parar e pensar. Não, não, minha vida não passou em flashs em minha mente naqueles segundos. Nada disso. Mas eu confesso que esse pequeno intervalo em que meu corpo se projetou da moto e eu bati com a cabeça no vidro de trás do carro daquela mulher, me fez refletir no quão frágil é nossa vida. A existência é apenas um sopro. Nada mais. Em um instante estamos aqui, em outro não existimos mais.
Pensei na quantidade de tempo que tenho dedicado ao trabalho e no pouco tempo que tenho dedicado às pessoas que amo e às coisas que gosto de fazer. No qto tenho deixado de aproveitar bons momentos da vida em função de trabalho, sempre o trabalho. Parece discurso plagiado, velho e piegas, mas é apenas a verdade. Pensei mto em tudo isso na noite passada e acho que esse STOP ocorreu justamente para me fazer meditar, não sobre o possível fim de tudo, mas sim sobre o fato de que
HOJE é apenas o começo.
"Você nasce sem pedir e morre sem querer. Aproveite o intervalo..."
Paz!
P.S.1: eu realmente estou bem, não há motivos para preocupações.
P.S.2: a moto quebrou o eixo dianteiro, ou algo parecido. Resumindo: não anda direito, vai pro conserto. Só espero que não fique caro...
P.S.3: O cara que viu tudo, viu que a mulher freiou bruscamente e tals, não quis ser minha testemunha, não quis se envolver e no primeiro momento de distração minha enquanto pegava algo pra anotar o telefone dele, ele sumiu no meio do povo, então minha única chance de ter meu prejuízo pago pela mulher que dirigia o carro foi por água abaixo...